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20 de novembro | Dia da Consciência Negra
19/11/2025 às 07h21
O 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, é um chamado à memória, à resistência e à luta contra o racismo estrutural que segue produzindo desigualdades profundas no Brasil. Para o Serviço Social, é um dia de reafirmação do compromisso ético-político com a luta antirracista, entendendo que não há justiça social possível sem enfrentar o racismo em todas as suas expressões.
As pessoas negras representam 56% da população brasileira, mas são 77% das vítimas de homicídio no país (Atlas da Violência); recebem, em média, 40% menos que pessoas brancas no mercado de trabalho (IBGE) e compõem 68% das usuárias e usuários do SUAS, revelando a face racial da desigualdade (MDS/IBGE).
Esses números são o resultado de uma sociedade estruturada pelo racismo, que sistematicamente nega oportunidades, direitos e vida digna à população negra.
Outro ponto significativo de diálogo e luta por uma sociedade antirracista é a interface entre raça/cor e envelhecimento. De acordo dados do IBGE (2022), do total de pessoas idosas (60 anos ou mais), 47,7% se declaram negras (pretas ou pardas).
O número de pessoas idosas negras é menor quando comparado ao total de pessoas idosas no Brasil por uma série de violações de direitos ao longo da vida, que resultam na morte precoce de jovens e homens negros, e que também sofrem com o encarceramento em massa.
Desse total de pessoas idosas negras percebeu-se maiores vulnerabilidades sociais e de saúde, oriundas do histórico de desigualdades raciais no Brasil e ainda sem total cobertura de políticas públicas que atendam as especificidades da população negra.
Idosos negros apresentam as piores condições de saúde e a menor expectativa de vida quando comparados a idosos não-negros. E as idosas negras, apesar de viverem mais em relação aos idosos negros, carregam particularidades adicionais no processo de envelhecimento, relacionadas às suas trajetórias de trabalho (maior parte em serviços domésticos precarizados, desacobertadas de direitos trabalhistas e com baixa remuneração) e do sofrimento oriundo de violências múltiplas que interferem na maior incidência de adoecimento.
Nesse sentido, a pauta do envelhecimento negro e a fragilidade do diálogo é urgente e necessária numa sociedade que envelhece acelaradamente e com maior percentual de pessoas negras, por uma condição de direitos e de reparação histórica para fortalecimento de uma sociedade antirracista.
Para Assistentes Sociais, o 20 de Novembro é mais do que simbólico: é tarefa ética. O Projeto Ético-Político do Serviço Social afirma o enfrentamento ao racismo como princípio inegociável. É na atuação cotidiana, em todos os espaços sócio-ocupacionais, que Assistentes Sociais desconstroem práticas discriminatórias, tensionam institucionalidades racistas e fortalecem a organização e o protagonismo da população negra.
Nenhuma democracia é possível sem justiça racial. O racismo é uma violação de direitos e combatê-lo é compromisso profissional. Neste Dia da Consciência Negra, reafirmamos: Consciência Negra é todo dia. E o Serviço Social está na luta.